As Mães que a gente não vê


Selminha nasceu e cresceu na rua. Sua mãe engravidou muito cedo, foi expulsa de casa e se virou como pode para criar sua filha. Ao completar 19 anos conseguiu, finalmente, alugar um quarto. Mãe e filha saíam das ruas, mas não saíam ainda da pobreza. Selminha vendia ferro-velho para ajudar a mãe e sofria muito preconceito na escola. Mas, também ali na escola, havia uma professora que a ajudava e a protegia. Selminha pensava: “Quando crescer, quero ser como ela.”

Infelizmente essa é a dura realidade de muitas e muitas crianças no Brasil. Vivem nas ruas, em comunidades muito carentes, perigosas, cercadas pelo tráfico, pela criminalidade. Muitas não encontram proteção e educação nem mesmo em casa, com sua própria família. Nessas horas, pessoas como a professora de Selminha fazem toda a diferença. Fazem tanta diferença que mudaram a vida de Selminha. Hoje ela é a tia Selminha, responsável pela organização Núcleo Sócio Cultural Semente do Amanhã, que com a ajuda de outras pessoas maravilhosas, transforma a vida de cerca de 150 crianças por meio da arte, educação, esporte e cidadania. “A Semente do Amanhã já existe há 30 anos. Então já posso dizer que nós estamos criando os filhos dos filhos”, explica tia Selminha, “Eu sou uma pessoa feliz, realizada, porque vejo que todo o meu trabalho está tendo reflexo na vida das crianças. Quando você recebe aquele abraço, aquele olhar que te torna uma referência e diz que quer ser igual a você quando crescer, isso não tem preço!”.

tia Selminha abraça 3 crianças com uniforme da organizaçãoTia Selminha e as crianças da Sementes do Amanhã

Crianças da Monstros do Saber, sentadas às carteiras escolares, estudam

Crianças da Monstros do Saber recebem reforço escolar

História parecida nos conta Valéria. Ela também encontrou necessidade de ajudar, quando se deu conta de que fora muito ajudada em sua própria formação. Ela precisava passar aquela corrente do bem adiante. Foi quando resolveu fundar a Monstros do Saber, uma organização social que tem o reforço escolar como base principal das suas atividades. “Muitas crianças estão marcadas por uma realidade muito cruel, quase sem perspectiva. Eu tive ajuda para mudar a minha vida e decidi retribuir.”, explica Valéria. Segundo ela, muitas vezes essas crianças precisam de pouco. Um olhar amoroso, um gesto de carinho, um abraço apertado, uma palavra de esperança. “Com esse trabalho, minha vida se transformou. Descobri uma parte em mim que sequer sabia que existia… Sempre fui muito dura por conta da vida, mas aprendi a olhar com outros olhos… Mais humano… Mais social.” Olhar de mãe, poderíamos dizer…

Priscila também faz parte desse grupo de mulheres que se viu, em determinado momento da vida, com a necessidade de ajudar quem mais precisa. Em 2014 iniciou seu trabalho como assistente social da Congregação Mariana do Hospital Colônia de Curupaiti e de lá pra cá não parou mais. Como coordenadora dos projetos sociais da organização, Priscila tem contato direto com as crianças e famílias e percebe diariamente a mudança comportamental das crianças assistidas pela organização: “É gratificante realizar um trabalho que transforma o indivíduo e contribui com a construção de um cidadão, respeitando e valorizando a dignidade do ser humano.”, diz ela, que indiretamente se considera um pouquinho mãe de todas essas crianças, por conhecê-las de perto e acabar tornando-se também uma referência para elas. Aliás, Priscila tem uma filha de 20 anos, Larissa, que acabou seguindo seus passos e recentemente tornou-se auxiliar das educadoras na Congregação.

Crianças sentadas em volta de uma mesa sorriem pra fotoCrianças beneficiadas da Congregação Mariana

Assim como tia Selminha, Valéria e Priscila, são inúmeras as mulheres (homens também, é claro), que diariamente investem seu tempo, seu afeto, seu carinho, seu amor e discretamente dedicam-se a ajudar os outros sem a espera de um retorno, por pura e simples vocação, por puro amor. Amor de mãe.

A vocês, gostaríamos de agradecer do fundo dos nossos corações por tamanha dedicação!

Feliz Dia da Mães!

Mãos seguram coração forrada de lantejolas vermelhas

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